Nosso primeiro filho, Arthur, ainda na barriga, teve diagnóstico de hipoplasia das cavidades esquerdas, a doença cardíaca mais severa que ocorre em bebês. Nesta condição, o lado esquerdo pára de funcionar e pouco depois de nascer, o recém nascido morre se não houver estrutura e intervenção médica. Arthur nasceu muito forte, foi operado aos quatro dias de vida, colocou um stent (molinha) para manter o canal arterial aberto sem depender de drogas e, desta forma, manter sua vida até que identifiquemos uma alma que o salve com um novo coração. Hoje Arthur, aguarda tramites para entrar e ser o único na fila de transplante (em função de ser pequeno, não há ninguém na frente dele em São Paulo), mas como não há doadores inscritos, precisa que médicos informem sobre os raros potenciais doadores e que as famílias deste país avancem na cultura de salvar vidas pela doação. Nosso filho está com 17 dias de vida. Há muitos outros desafios para ele, para nós pais e para a sociedade. Estou tentando contribuir para superá-los. Vocês se sentirão bem em ajudar.
Rafael, Beatriz e, claro, Arthur
Rio, dia 30 de novembro de 2005
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